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A única testemunha

  • Foto do escritor: Helena Andrade
    Helena Andrade
  • há 7 horas
  • 1 min de leitura


Você estava lá.

Você viu acontecer.

O horror chegou.

Foi a coisa mais dilacerante que passou na vida.

Fez de tudo pra seguir,

mas perdeu a si.

Se encolheu tanto que quase sumiu.

Ainda bem que quase.

Mas você precisava disso:

se encolher.

Digo, se acolher.

Lambeu muitas feridas,

e outras apareceram depois.

Parecia não acabar tamanha dor.

Parecia não ter ninguém pra te salvar.

E não tinha.

Foi você, você que enfrentou no peito o horror.

Não se acovardou, não fugiu.

Se costurou viva em retalhos,

com devoção ao possível.

Fez o improvável.

Se pariu novamente.

E assim se provou

ser a única testemunha da própria dor.

 
 
 

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